Piracicaba também só passou de 50% em 25% dos dias.

Região regrediu para fase vermelha da flexibilização da quarentena com aumento de casos de coronavírus no período.

Isolamento social em Piracicaba e Limeira não atinge nível mínimo há mais de um mês Em 110 dias de monitoramento, as duas maiores cidades da região só atingiram o mínimo de 50% de isolamento social em no máximo 25% do período.

Limeira (SP) tem o pior índice, só alcançando esse índice em 11% dos dias.

A área do Departamento Regional de Saúde de Piracicaba voltou para a fase vermelha do Plano São Paulo de flexibilização da quarentena na sexta-feira (26). Em Piracicaba, os dados de um total de 110 dias que o estado vem medindo, em 83 dias, o índice ficou abaixo de 50%.

Os moradores da cidade só atingiram esse índice em 27 dias, e mesmo assim, o máximo de isolamento foi de 57% num domingo em abril – longe dos 70% considerados o ideal pelo estado. Em Limeira a situação é pior: o índice ficou abaixo de 50% em 97 dias, e só em 13 dias ele atingiu o mínimo de 50%, com o pico de apenas 53%.

A cidade chegou a ficar nas últimas posições do ranking estadual. Maiores cidades da região de Piracicaba não atingem índice mínimo de isolamento social desde maio Reprodução/EPTV O monitoramento do índice de isolamento social no estado começou a ser feito pelo governo no começo de março, antes mesmo da quarentena ser decretada.

Já são, pelo menos, 110 dias de acompanhamento considerando municípios com mais de 70 mil habitantes.

Por enquanto, nenhuma cidade chegou ao isolamento de 70%. Se isolar para prevenir O raciocínio é simples: quanto maior a circulação de pessoas nas cidades, mais a doença se espalha. "Uma pessoa assintomática consegue transmitir para duas pessoas que também estão na redondeza, perto do comércio.

Então de um vai pra dois, de dois pra quatro, e isso vai subindo para um número absurdo", explica o biomédico Alexandre Veronez. "E isso depende também de quantas pessoas estão no ambiente.

A gente está falando de uma né, mas pode ter três, quatro, e esse número pode ser bem maior." Por isso as autoridades em saúde reforçam que o índice precisa ficar, pelo menos, acima dos 50%, mas o monitoramento deixa claro que essa taxa quase nunca é alcançada pelos municípios.

Limeira atingiu esse número em apenas 13 dias e a última vez em que isso aconteceu foi em 3 de maio, dois meses atrás. Em Piracicaba, a situação é um pouco melhor, mas a partir de maio o isolamento começou a cair.

No mês passado, a cidade não atingiu os 50% em nenhum dia.

Nesta semana, ela chegou a 39%, um dos pontos mais baixos, enquanto a ocupação de leitos de UTI na região já passa dos 70%. Medo para o grupo de risco Tudo que a Flávia Francisco não quer é fazer parte das estatísticas da Covid-19.

Hipertensa e diabética, a moradora de Piracicaba teve um infarto no começo do ano passado.

Para uma pessoa com essas condições de saúde, o isolamento social pode salvar a vida. "Eu falo que eu não estou em isolamento social, eu estou em regime semiaberto: de casa para o trabalho e do trabalho pra casa." A aposentada Aparecida Antônia Delacosta Pedron e o marido só saem para ir ao mercado e muito cedo.

"Eu acho que agora é a hora de ficar quieto dentro de casa para não transmitir para os outros, não ficar andando pela rua, tem gente que está saindo a 'torto e direito', sem máscara, sem nada." Isolamento social é medida necessária para conter pandemia da Covid-19 Reprodução/EPTV Eles levam a quarentena tão a sério que deixaram de ver os filhos e os netos.

"De vez em quando ela chora de saudade deles, mas fala: 'eu não posso ir, transmitir alguma coisa pra vocês'.

É só por telefone", conta José Augusto Pedron. Com o sistema de saúde da região atingindo um alto índice de ocupação, para pessoas como a dona Cidinha, o marido, além da Flávia, o isolamento social se torna um assunto de vida ou morte. "É difícil ficar em casa? Muito.

Mexe com o emocional, mexe com tudo, mas a gente tem que parar de olhar um pouquinho só pra gente e pensar mais no coletivo", finaliza Flávia. Veja mais notícias da região no G1 Piracicaba